segunda-feira, 3 de setembro de 2007

A reinvenção do criativo - Entrevista com Marcello Serpa


Fonte: www.portaldapropaganda.com


Marcello Serpa nasceu e cresceu no Rio de Janeiro, estudou artes gráficas e visuais na Alemanha (onde morou por sete anos, trabalhando na GGK e R.G. Wiesmeir), mas viveu seu melhor momento como diretor de arte e de criação em São Paulo, para onde mudou após seu retorno ao Brasil e passagem pela DPZ Rio. Na capital paulista, primeiro como colaborador da DPZ e da DM9DDB, depois (desde 1993) como sócio da AlmapBBDO, ele se transformou em um dos principais astros de uma geração que viveu a consolidação do poder dos criativos à frente das agências — seguindo a trilha aberta a duras penas por um grupo de vanguarda que transformou radicalmente a atividade. Juntas, essas duas gerações construíram a maioridade da propaganda brasileira. Serpa herdou a história de sucesso da pioneira e uma das principais escolas da criação nacional, reciclando totalmente, ao lado de seu sócio José Luiz Madeira, essa agência que, novamente, se transformou em símbolo maior de qualidade criativa da propaganda e tem sido a mais premiada do País na última década. Entretanto, o extraordinário sucesso do profissional e empresário, com seus 43 anos, não lhe impede de sentir para onde sopram os ventos da realidade e de compreender que, quando um ciclo se fecha, outro tem início, levando ele e todos seus colegas criativos a um processo de reinvenção de seu ofício.Com a autoridade de quem está no auge de sua vida profissional, Serpa conta em seu currículo com superdestaques, como ser o diretor de arte mais premiado do Brasil, ter sido o criador do primeiro Grand Prix da América Latina no Festival de Cannes (Press & Outdoor, em 1993), ter conquistado as duas únicas medalhas de ouro da América Latina no Art Directors Club of New York, ter ganho dois Grand Prix no The New York Festival e ter obtido quatro vezes o Prêmio Abril de Propaganda. Foi ele também o primeiro profissional latino a presidir o júri de Cannes, se sobressaindo como o presidente mais jovem da história do evento. Presidiu, igualmente, o júri de TV e Rádio do Clio Awards, o júri do London Festival e os júris de “non-English language” e de mídia impressa do rigoroso D&AD inglês. Com todas essas credenciais, não há dúvida de que seus conceitos, expressos na entrevista a seguir, realmente são ouro puro. Que Serpa, generosamente, divide com nossos leitores.

ABOUT – No último Festival de Cannes, muitos resultados de prêmios importantes foram bem diferentes do que acontecia habitualmente. Por quê? Mudou Cannes ou mudou a propaganda
MARCELO SERPA – Mudou mais Cannes do que a propaganda. O perfil do festival veio se alterando radicalmente desde que os clientes passaram a participar em maior número do evento. Este foi o ponto de virada e hoje com certeza Cannes deixou de ser um festival de criação para ser um festival de propaganda.

ABOUT – Propaganda...
SERPA – Sim, considerando que essa palavra-conceito abrange todo o conjunto da comunicação de marketing.

ABOUT – Essa maior presença de clientes é positiva?
SERPA – Ela foi benéfica para a propaganda como um todo e, principalmente, para os próprios clientes. A participação em Cannes leva a um maior nível crítico e de exigência pela criatividade por parte dos clientes. Como decorrência dessa presença, Cannes abriu espaço no seu lado “festival” para o crescimento do lado “profissional”. Estes são os aspectos positivos...

ABOUT – Tem algum aspecto negativo?
SERPA – Cannes passou a ter um clima mais tenso e mais nervoso. Ficou mais chato e as disputas passaram a incluir um maior viés negocial. O Grand Prix de Films deste ano é um caso típico, pois o trabalho de Dove tem mais o jeito de ser um vencedor dos Effies do que de Cannes...

ABOUT – Dá para corrigir?
SERPA – Será que é o caso de corrigir, já que isso é um reflexo da própria evolução da atividade? De qualquer modo, é importante evitar que o festival se transforme em uma disputa mais pelos negócios do que pela criatividade, pois isso poderia até eliminar a principal razão pela qual Cannes deu certo.

ABOUT – A quem cabe a principal responsabilidade por isso? Aos administradores do festival?
SERPA – Mais do que a eles, aos presidentes dos júris, pois são estes que dão o tom dos julgamentos e podem evitar que o bom caminho seja abandonado. Bob Scarpelli, que presidiu o júri de Films deste ano, por exemplo, fez um trabalho muito bom e deveria servir de padrão para o comportamento de futuros presidentes.

ABOUT – Não existe um excesso de coisas para ver e das quais participar?
SERPA – Existe, mas não sei direito como selecionar. Poderia ser feita uma pré-seleção das peças inscritas, para se ter algo como um long list anteriormente. Os seminários poderiam ser mais seletivos em termos de assuntos e apresentadores. Não é fácil, reconheço, e isso até poderia reduzir essa riqueza de opções de Cannes. Mas, por outro lado, o esquema atual é over e, para nós, os participantes, fica uma sensação incômoda de que perdemos alguma coisa importante.

ABOUT – Mas essa quase orgia de alternativas tem seu fascínio, não tem?
SERPA – De fato, é fascinante. Mas tudo deve ter seu balanço e meu medo é que esse lado excitante de Cannes possa sacrificar o aspecto fundamental do festival que é o de apresentar um painel muito preciso do que está mudando e evoluindo na propaganda. E insisto na visão ampla do termo “propaganda”, pois acho uma tremenda bobagem essa briga entre categorias e plataformas. Não se trata de a internet, de a promoção, de o marketing direto ou de o cartaz tentarem mostrar que são melhores que os filmes de TV ou os anúncios — e nem destes provarem sua superioridade. Trata-se da evolução da propaganda, de fazer comunicação mais eficaz para as marcas e empresas.

ABOUT – Mudando de foco, mas não de assunto: a função da criação se alterou diante das novas realidades da propaganda? Qual seria o novo papel da criação, o novo formato da área e o novo perfil do criativo?
SERPA – Esta é a grande mudança: o criativo precisa entender que a idéia não tem dono. Ela tanto pode ser gerada na criação como no planejamento, no atendimento, na mídia, na pesquisa, no cliente ou, até mesmo, pelo consumidor. A criação não tem mais — se é que um dia teve — o monopólio da idéia. A visão de que a criação tem as grandes idéias e todas as outras áreas devem apenas “suportar” sua genialidade não tem mais nem presente nem futuro. O profissional de criação precisa ter a humildade de reconhecer essa realidade e estar capacitado para trabalhar a partir da boa idéia, da idéia pertinente, explorando todos os seus limites e formatando a peça de comunicação — independentemente do suporte e da mídia — da melhor maneira. Em propaganda, a boa idéia não é mais um título, uma imagem ou um roteiro genial. A boa idéia é algo bem mais complexo, que tenha o potencial de ser explorado de forma relevante e consistente em muitas peças e pontos de contato da marca com os consumidores. Essa é a função maior da criação e da própria agência, por meio do conjunto de seus colaboradores. Em Cannes, por exemplo, vi idéias geniais nas áreas de Titanium, Media e Direct. Idéias que não tinham os limites de um anúncio, cartaz ou comercial.

ABOUT – Tem muito criativo perdido por aí?
SERPA – Aqui na AlmapBBDO não tem nenhum... (risos). Por aí, acho que tem bastante. São criativos que estão ficando sem chão em decorrência de sua impotência diante da evolução que lhes retirou o status de deuses e os levou para o mesmo patamar de todos os demais profissionais da área. Tem criativo que não aceita isso e fica resmungando que não o deixam trabalhar...

ABOUT – Qual é a melhor dupla do criativo? O planejador?
SERPA – Geralmente é o planejador. No meu caso, quando decidi aceitar o desafio de transformar a AlmapBBDO, fiz uma bela dupla, por absoluta afinidade, com o José Luiz Madeira, meu sócio e nosso diretor de planejamento. Mas também fiz e faço dupla com mídias, pessoal da internet e, até, criativos. E esse é o caminho: o criador deve fazer dupla com todo mundo que possa contribuir para gerar e desenvolver a idéia, inclusive com o cliente e o próprio consumidor.

ABOUT – Para fazer essas duplas, o criativo tem de entender de todas as áreas?
SERPA – Ele tem de ter noção de tudo, mas não pode ter a ilusão de acreditar que pode fazer qualquer coisa de forma tão brilhante que prescinda de seu dupla.

ABOUT – Isso vale para inspirar, gerar ou desenvolver a idéia?
SERPA – Vale para tudo. A participação de outros profissionais na fase de inspiração e de desenvolvimento é até mais comum. O problema, para muitos criativos, está em aceitar um dupla não-criativo na etapa de gerar a idéia, que sempre é uma coisa meio abstrata em sua origem...

ABOUT – Abstrata?
SERPA – Sim, pois a idéia sempre é um conceito que poderá assumir diversas formas no seu desenvolvimento.

ABOUT – É preciso ser realista?
SERPA – Não necessariamente. O importante é que a idéia seja relevante e capaz de aderir à marca e cativar os consumidores visados. Ela precisa tangibilizar uma diferença emocional para as marcas e gerar carisma para elas. A questão-chave é que os produtos e os serviços estão reduzindo suas diferenças objetivas e a propaganda perde, cada vez mais, a capacidade de argumentação com bases racionais, que foi o fundamento de boa parte da melhor comunicação feita nas últimas décadas.

ABOUT – É uma mudança substantiva, então?
SERPA – É quase radical, por isso não é simples e não pode ser cosmética. Não é apenas uma questão superficial. É um jogo diferente. Que envolve uma elevada dose de emoção, como já disse, e um componente de entretenimento que pode ter grande influência no sucesso da comunicação.

ABOUT – É esse o jogo que a criação tem que aprender a jogar?
SERPA – Sim, razão pela qual o criativo tem de se reinventar. É um jogo no qual é muito mais difícil se chegar às boas idéias. E a melhor não é necessariamente aquela daqueles que são pagos — às vezes, muito bem — justamente para ter idéias.

ABOUT – A nova geração de criativos está preparada para isso?
SERPA – Eu observo que a novíssima geração já chega jogando desse jeito, que tem a ver com a cultura contemporânea. O problema está em algumas gerações anteriores, inclusive nas mais recentes. E também há uma forte influência de como a agência trabalha.

ABOUT – Em que sentido?
SERPA – Para jogar esse novo jogo, não pode haver um monte de paredes, departamentos, hierarquias. É preciso horizontalizar tudo isso para permitir um trabalho realmente de equipe, o melhor aproveitamento dos talentos e experiências individuais, um fluxo de trabalho sem interrupções e a existência de uma postura ao mesmo tempo sem censura na hora de criar e bastante crítica no momento de selecionar.

ABOUT – Em termos práticos, como essa realidade funciona?
SERPA – Para começar, reúne-se um amplo grupo de profissionais ligados à marca na etapa de pensar caminhos, definir linhas de comunicação e gerar idéias. A seguir, separam-se as tarefas para cada área e especialista desenvolver sua parte. Na seqüência, todos devem voltar a se reunir para avaliar, selecionar e incrementar as propostas. Em seguida, volta-se a trabalhar em separado as partes necessárias. Depois, é preciso fazer um novo encontro geral para amarrar tudo. Esse processo só deve parar quando todos tiverem certeza de que se têm uma proposta e uma campanha vencedora nas mãos.

ABOUT – Como é possível viabilizar economicamente essa forma de trabalho?
SERPA – Não é o caso de fazer tudo isso para cada anúncio ou cartaz de PDV, é claro, mas tem de ser feito desse modo quando da criação das novas campanhas de cada marca. É o preço que é preciso pagar para se ter propaganda que realmente funcione e faça a diferença na vida da marca.

ABOUT – A propaganda vem sendo atacada de forma crescente por todos os lados. O que fazer em defesa da atividade e qual o papel do criativo nessa luta?
SERPA – Eu acho que a melhor forma de defender a propaganda é mostrar o que ela é capaz de fazer para a vida das empresas e, por conseqüência, da economia e da sociedade. Imagino fazer coisas como uma versão empresarial do Extreme Makeover. Só que em vez de reconstruir a casa de uma família, um grupo de profissionais pegaria uma empresa à beira da falência e faria uma bela repaginada em seu posicionamento, design, embalagens, propaganda etc. Depois, é só acompanhar e documentar a virada do negócio, mostrando empregados felizes, fornecedores faturando, impostos sendo recolhidos, consumidores bem atendidos e proprietários vencedores.

ABOUT – E o que os criadores devem fazer?
SERPA – Além de ter idéias como essa? Talvez encontrar maneiras de fazer seu trabalho sem levar a propaganda a ser um alvo ainda mais fácil do que já é. Mas isso é bastante complexo, pois pode fazer da comunicação uma coisa chata e sem brilho. Esse patrulhamento excessivo sobre a propaganda é o reflexo de uma doença da alma brasileira, que sempre foi muito alegre e irreverente, porém está caminhando para baixo, para uma amargura que não tem a ver com a nossa cultura e jeito de ser. E que pode comprometer nossa tão decantada esperança.

ABOUT – Provavelmente isso acontece porque a propaganda acaba sendo o bode expiatório de muitos problemas que não têm nada a ver com a comunicação das marcas...
SERPA – Pode ser, mas isso realmente é péssimo. A propaganda tem a obrigação de puxar tudo para cima, de ser otimista, alegre e não-convencional. Se formos cerceados e obrigados a caminhar na direção oposta, as primeiras prejudicadas serão a propaganda e as marcas, mas os maiores prejuízos ficarão com os consumidores e com o País.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Faça uma festa em você

A cantora Negra Li foi convidada pela Coca-Cola para regravar “Age of Aquarius”, música ícone da geração dos anos 60, que estourou com o espetáculo Hair e agora acompanhará a marca em todas as suas ações.


“'Age of Aquarius’ representava uma geração visionária, uma nova forma de ver o mundo e de fazer parte dele. É esse espírito que queremos mostrar com a campanha. O consumidor atual é ávido por novidades, e a marca Aquarius é símbolo dessa nova era de bebidas tão almejada."

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

O que é o que é? – Criativos, leiam!

Sabe aquele livro que você lê do começo ao fim e não quer parar e não quer que acabe e depois de acabar dá vontade de ler de novo, na mesma hora, na mesma ordem ou então desbravando-o assim de forma aleatória, só para sentir mais prazer com a descoberta das palavras, frases, significados?

Mania de Explicação, de Adriana Falcão é mais ou menos isso. Sei lá, não consigo explicar. Só sei que é um livro que inspira, que cutuca nossas idéias, que dá comichão no cérebro e ilumina a alma. Um livro para redator, para diretor de arte, para publicitário, para quem está vivo ou para quem precisa ressuscitar.

Adriana Falcão é carioca, colaborou em vários episódios de "A Comédia da Vida Privada", "Brasil Legal" e "A grande família", da Rede Globo. Delire: Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa.
Explicação é uma frase que se acha mais importante do que as palavras. As pessoas até se irritavam, irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito, com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia. Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá explicando sozinha.

Solidão é uma ilha com saudade de barco.
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer “eu deixo” é pouco.
Pouco é menos da metade.
Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.
Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro da sua cabeça.
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.
Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
Renúncia é um não que não queria ser ele.
Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.

Campanha de Incentivo à Leitura



terça-feira, 15 de maio de 2007

Comercial argentino para a Coca-Cola



Tá aí, Zumbi, conforme prometido. Coca-cola, para todos.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Short List - Concurso Leão Verde 2007









E aí? Qual desses anúncios é o melhor?

Mais Peças do Short List - Concurso Leão Verde 2007











Será que é dessa série de anúncios que vai sair o vencedor?

sexta-feira, 4 de maio de 2007

O discurso demonstrativo, segundo Aristóteles


Os dois anúncios acima são exemplos fantásticos do uso do discurso demonstrativo na propaganda. Suas histórias envolvem o leitor, levando à reflexão a partir de um conceito poderoso: "Se uma página o faz pensar, imagine um livro."

No livro Razão e Sensibilidade no Texto Publicitário, Carrascoza explica mais sobre esse tipo de discurso, suas características, usos e vantagens. Veja alguns trechos:

"O discurso demonstrativo ou epidíctico é voltado para o elogio ou a censura.

É um discurso que visa persuadir, já que, se em primeira instância faz a apologia do produto, em última o faz para aconselhar o auditório a experimentá-lo.

É adotado preferencialmente para defender valores tradicionais, valores já aceitos, que não suscitam polêmica.

A maior parte dos anúncios concebidos sob esse formato é de produtos já há muito conhecidos do público, ou de marcas absolutas – que dominam seu segmento e estão no top of mind.

É preferido pelos redatores quando a mensagem se destina ao um grupo de elite.

Cumpre um objetivo mais de cunho institucional.

Ou em casos em que os elementos persuasivos racionais venham se mostrando inadequados.

Ou mesmo em anúncios em que haja pouco a se dizer sobre o funcionamento, as vantagens e a indispensabilidade do produto ou serviço anunciado (seus valores tradicionais).

Assume o formato de narrativas verbais, semelhantes a fábulas, crônicas ou contos.

Busca influenciar o público contando histórias. É nessa maneira indireta que está a força da sua carga suasória. Como tão bem apontou o escritor Jorge Luis Borges, 'qualquer coisa sugerida é bem mais eficaz do que qualquer coisa apregoada.'

O destinatário tem a impressão, lendo um anúncio desse tipo, de estar diante de um slice of life, um instantâneo da vida cotidiana, que poderia ser a sua própria."

Percebeu, galera, como a busca para conquistar o público-alvo é feito aqui também por meio da emoção, do humor, do divertimento lúdico?

Campanha Aruba faz uso do discurso demonstrativo




Anúncio com discurso demonstrativo

21ª Semana Internacional de Criação Publicitária

Abaixo, segue um breve resumo da 21ª Semana de Criação Publicitária, realizada entre os dias 16 a 20 de abril, na Fecomércio, em São Paulo. A Semana é um dos mais importantes eventos da publicidade brasileira.

Nesta edição estiveram presentes representantes dos Estados Unidos, Alemanha, Portugal, Argentina, Japão e Índia. Para ler mais, na íntegra, acesse: www.propmark.com.br

Roberto Duailibi, DPZ
De acordo com Duailibi, o primeiro passo para a criação é conseguir identificar o problema corretamente. "O primeiro desafio de criação é encontrar as perguntas certas", argumenta.

De posse das questões certas, basta que o profissional de criação conceba uma solução inovadora para o problema identificado anteriormente. Todavia, não é possível que esta solução seja apresentada em forma de relatórios, tabelas ou gráficos.

Para Duailibi, o xis da questão é conseguir sintetizar a inovação em "uma página, uma frase, se possível, em duas palavras". Encontrar boas idéias e sintetizá-las em duas palavras não é uma tarefa fácil. Por causa disso, o publicitário recomenda que o profissional exercite a disciplina de criar.

Ele revela que criar é angustiante e que as idéias, normalmente, brotam nos últimos momentos do prazo disponível. "O profissional deve se permitir criar. Primeiramente, ele deve apenas ter as idéias para, somente depois, julgar qual a que melhor resolve o problema", afirmou.

Para Duailibi, a publicidade de qualidade é simples. Segundo ele, as idéias de sucesso não precisam de explicação, simplesmente são compreendidas. "As boas idéias são redondas como uma bola. Elas podem ser chutadas, rebatidas, ou, simplesmente, rodarem por aí", enfatizou.

Aaron Sutton, MPM Propaganda
De acordo com Sutton, a SulAmérica Seguros estava em busca de uma publicidade que alterasse o tamanho da fatia de mercado da empresa no que se refere a seguros de automóveis em São Paulo.

Agência e cliente já sabiam que a publicidade convencional utilizada nas campanhas até então (como anúncios e comerciais) não estava surtindo o efeito desejado. Sutton revelou que a agência esteve diante de um grande desafio: como criar algo inovador que realmente funcionasse?

Durante as discussões, relatou Sutton, chegou-se à conclusão de que os motoristas pensavam em seguro de carro apenas na hora de renová-lo ou quando acontecia algum acidente. Porém, o tema "trânsito" foi identificado como algo presente na rotina das pessoas na cidade. A situação do trânsito em São Paulo interfere na rotina tanto de motoristas, quanto de pedestres que usam ônibus e, inclusive, aquelas pessoas que estão cruzando pela cidade via marginais.

A partir disso, a agência resolveu propor a criação de uma rádio que falasse, exclusivamente, sobre o trânsito da cidade. Surge, então, a Rádio SulAmérica Trânsito 92,1 FM. A idéia era de que a rádio pudesse transmitir uma programação completamente dedicada a indicar rotas alternativas para fuga de engarrafamentos e vias de tráfego lento.

Depois de um ano de trabalho, a rádio entrou no ar às 5h do último dia 12 de fevereiro. Chalfon ressaltou que a rádio está disponível há apenas dois meses. Mesmo nesse curto período a lembrança da marca da empresa já cresceu 100%.

Kazunori Miura, supervisor e redator da Dentsu.
O publicitário da agência japonesa apresentou cases da agência, que têm como principal diferencial a utilização das ruas em ações inusitadas para aproximar o consumidor do produto.

Aproveitando a experiência multicultural, desenvolveu o método criativo No-Line, inspirado na comunicação de marketing integrado, uma das ferramentas utilizadas atualmente pela Dentsu.

Para agregar valor à marca do site de buscas japonês Goo, por exemplo, a Dentsu colocou nas ruas mil voluntários com camisetas em idioma japonês, explorando o bom humor. Um casal com camisetas "amor" e "dinheiro" andava junto de mãos dadas; outros dois jovens com as camisetas "Bush" e "Saddam Hussen" caminhavam mantendo distância. Havia ainda grupos maiores com camisetas "dieta" e "peso", "furacão" e "estresse", entre outras palavras.

A agência também promoveu o desafio Goo "Answer it! Goo" que premiou as melhores respostas para perguntas propostas pelo site de buscas. As questões podiam ser visualizadas em vários pontos da cidade (barcos e painéis eletrônicos).

Na campanha "Abra seus ouvidos" para o site de músicas Napster, a Dentsu conseguiu um milhão de assinantes oferecendo música em fones de ouvido em locais públicos. "Nosso desafio era utilizar todos pontos de contato com os consumidores", afirmou Miura.

Rodrigo Figueroa Reyes, FiRe Advertainment Argentina.
Ele falou sobre o futuro das novas comunicações para a publicidade. "É claro que a publicidade tradicional não vai morrer, mas haverá um novo valor e um novo meio para se construir marcas".

Uma tendência forte atualmente para o mercado são as campanhas no universo virtual, principalmente em videogames e na internet, além de investir pesado em eventos esportivos e em entretenimento.

"A publicidade hoje está nos mais diferentes lugares, patrocinando não só esportistas, mas cantores que vestem roupas de determinadas marcas em shows. Tudo isso é uma forma do cliente marcar presença fora da mídia tradicional", disse Rodrigo.

O publicitário também citou a relação das marcas com o cinema e relembrou casos de filmes como "Náufrago", interpretado por Tom Hanks, que tinha a marca FedEx constantemente na tela. Outro exemplo citado por ele foi "O diabo veste Prada", referindo-se à marca italiana de sapatos.

"No futuro a publicidade tradicional representará 30% do mercado, os outros 70% estarão dentro dessas novas comunicações. Algumas delas ainda desconhecidas por nós".

Para o publicitário, os anunciantes não querem mais pagar para interromper os programas de TV e rádio, filme ou qualquer coisa que as pessoas estejam assistindo. "Por isso é que a publicidade está se transformando em uma poderosa arma de entretenimento".

Washington Olivetto, W/Brasil
O publicitário disse que, após a sua agência completar 20 anos no ano passado e ele 55 anos, chegou a hora de promover uma nova revolução para levantar a auto-estima da publicidade brasileira.

Para ele, o futuro dá propaganda está na reivenção de grandes idéias que possam interagir com os mais diferentes meios de comunicação.

Armando Ferrentini, diretor da Referência, lembrou que Olivetto foi um dos idealizadores da Semana da Criação, quando a propaganda brasileira ainda dava os primeiros passos rumo à internacionalização.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Dia das Mães 2007 - Claro


Mais um grande comercial da F/Nazca. Eles explicam no site, www.fnazca.com.br:

“Com forte apelo emocional, a campanha da F/Nazca para o Dia das Mães da operadora Claro cria uma nação de mães e foca na linguagem universal do tema "amor materno".

O formato da comunicação é ousado, diferente e reforça o conceito da marca, traduzido na assinatura "Claro. A vida na sua mão".

A campanha é composta por quatro filmes, seis anúncios e três spots de rádio. A divulgação contempla veiculação em TV aberta e fechada, rádio, jornal, revista, internet, cinema, mobiliário urbano e outdoor. Os filmes têm versões de 10", 15",30"e 60" e explicam que o único mandamento da nação das mães é amar.

Sobre as cenas que mostram mães com filhos no colo, imagens de bebês, carrinhos e mamadeiras, o locutor conclui: "A Claro está a serviço desta nação. Só na Claro o celular com câmera é de graça e falar com os filhos também."

Todas as peças apresentarão promoções e vantagens oferecidas pela operadora para o Dia das Mães. A direção de criação é de Fabio Fernandes e Eduardo Lima; a criação é de Airton Carmignani, Eduardo Lima e Ricardo Jones.”

Confira o belíssimo texto:

Existe uma nação que é a maior do mundo.

Bilhões de cidadãs.

Um só idioma.

Amar é o único mandamento.

Para elas, tudo gira em torno deles.

Tudo é feito para eles.

Elas trabalham para eles.

Idolatram eles.

Se preocupam com eles.

Só pensam neles.

Vivem por eles.

E sofrem quando estão distantes.

A Claro está a serviço dessa nação.

Só na Claro o celular com câmera é de graça.

E falar com os filhos também.

(Assina com o slogan):

Claro. A vida na sua mão.

Dia das Mães 2007 - TIM


Por Raul Otuzi

Saiu no www.adnews.com.br:

"A Promoção "Feliz TIM das Mães" será divulgada em ampla campanha a partir desta terça-feira (24 de abril), em canais de TV aberta e fechada, mídia impressa, Internet e mídia exterior. Desenvolvida pela agência Lew'Lara, a campanha alinhará as ações de varejo às mensagens institucionais da TIM ressaltando o emocional.

Os filmes mostram mães e filhos em situações do cotidiano com demonstrações de afeto. Ao abraçar a mãe, os personagens formam com os braços o número 7. O texto diz:
"Por apenas 7 centavos, sua mãe fala com todo mundo que tem TIM. E ainda faz ligações DDI. Dê um TIM de presente para ela. Feliz TIM das Mães."

Uma ação na Internet, desenvolvida especialmente para a data e alinhada com a comunicação da promoção, complementa a campanha. Criada pela agência digital Sinc, o site dá ao internauta a possibilidade de criar um banner personalizado em homenagem à sua mãe que poderá ser conferido no site da revista Caras, com data e horário pré-definidos pelo próprio usuário. A mãe receberá um e-mail avisando da data e endereço na Internet da homenagem.

Além disso, no próprio site da revista, ela poderá conferir as mensagens enviadas por seus filhos na forma de tulipas, que fazem parte do design da página."

Dia das Mães 2006 - Vivo


Por Raul Otuzi

Ano passado, a Vivo apostou em um comercial bem simples, com o uso de celebridades (Regina e Gabriela Duarte) para divulgar as vantagens comerciais da operadora para o Dia das Mães.

Segundo o http://www.portaldapropaganda.com/: "... este (2006) é o terceiro ano consecutivo que as duas atrizes participam de campanhas da operadora alusivas à data. Criada pela Young & Rubicam, a estratégica de comunicação engloba anúncios, spots, ações na internet, materiais de ponto-de-venda e comerciais produzidos pela Jodaf Mixer.

Os clientes que habilitarem um Vivo Pré ou um Vivo Pós no período de 17 de abril a 17 de maio, assim como aqueles que migrarem do primeiro para o segundo e os clientes que trocarem de celular, estarão, automaticamente, sendo beneficiados pela promoção que permitirá aos usuários falarem em dobro pagando menos – ou seja, quanto maior a franquia Vivo Pós ou a recarga Vivo Pré maior, maior será o bônus de minutos ofertado, de Vivo para Vivo.

Aproveitando o fato de Gabriela Duarte estar grávida, a campanha brinca com o jeitinho especial que a maioria das mamães possui de demonstrar carinho pelos filhos: falando muito, mais ainda quando também são avós. Um bom motivo para Regina Duarte insinuar, no comercial, que quer ganhar um Vivo de presente, afinal, “ser avó é como ser mãe em dobro”.

Para assistir ao comercial, clique:

http://www.portaldapropaganda.com/vitrine/tvportal/2006/04/0028?data=2006/04

Mais anúncios da campanha para o Valor Econômico



Você vê o quê?


segunda-feira, 23 de abril de 2007

As etapas do discurso deliberativo, segundo Aristóteles


Por Raul Otuzi

No seu livro Redação Publicitária, João Carrascoza explica as quatro etapas básicas do discurso deliberativo, segundo Aristóteles. São elas: exórdio, narração, provas e peroração. Neste anúncio do Jornal Valor Econômico, fica fácil identificá-las.

1. EXÓRDIO. É a introdução, quando se sinaliza qual assunto será abordado, visando assim captar de saída o interesse do público-alvo. Encontra-se no título, no qual se insinua o assunto a ser abordado: “Você vê esparadrapo e gaze. Alguém viu os dois juntos e criou o Band-Aid.”

2. NARRAÇÃO. Consiste na parte do discurso em que se apresentam os fatos, atribuindo-lhes importância. Neste anúncio é o trecho: “Um dia um sujeito pegou esparadrapo, gaze e fez um curativo virar uma grande idéia. Assim surgiu o Band-Aid. Para enxergar além do óbvio, você precisa de um jornal de economia que faz as análises mais profundas e inteligentes do mercado, antecipando oportunidades.” Aqui procura-se aprofundar a proposição do título, ou seja, tem gente que enxerga mais do que os outros, enxerga além do óbvio, porque lê um jornal profundo.

3. PROVAS. Associadas aos fatos, devem ser demonstrativas e, embora o discurso deliberativo aconselhe para uma conduta futura, pode-se tirar exemplos do passado, ressaltando aquilo que deu certo ou não. Trecho: “O Valor traz suplementos especiais que apontam as tendências do mundo dos negócios, finanças e tecnologia, com enfoque detalhado dos diferentes setores da economia. Em pouco mais de um ano já conquistou 2 Prêmios Esso, 2 Prêmios Icatu, o Prêmio Ayrton Senna, o Prêmio Bovespa de Jornalismo, o Abamec e vários outros.”

4. PERORAÇÃO. É o epílogo, em que se unem os pontos principais das três fases anteriores. Busca predispor o público-alvo a nosso favor, ampliando ou atenuando o que foi dito, excitando a sua paixão, recapitando o que foi dito e chamando-o para a ação. Neste anúncio, é a parte: “Por isso, todo executivo de sucesso é, antes de tudo um assinante de Valor Econômico. Ligue 0800 701 8888 ou acesse www.valoronline.com.br. Afinal, a única crise que uma empresa não pode ter é de criatividade.”


As etapas do discurso deliberativo, segundo Aristóteles - parte II


Por Raul Otuzi

Mais um exemplo das etapas do discurso deliberativo, de acordo com o esquema aristotélico:

1. EXÓRDIO. Para despertar o interesse, simpatia, o anúncio mostra preocupação com o filho do leitor. Mergulha no dia-a-dia corrido do homem moderno, que em busca de dinheiro fica sem tempo para nada, inclusive para jogar bola com o filho. Título: "Seu filho também não gosta quando o craque favorito dele só pensa em dinheiro."

2. NARRAÇÃO. Nesse momento de discorrer sobre a idéia central do anúncio, eles afirmaram com propriedade: "Dinheiro é ótimo. Mas não pode monopolizar seu tempo, porque existem várias outras coisas ótimas à sua espera."

3. PROVAS. Para provar que a afirmação é verídica, motivo de concordância e que eles estão do lado do cliente, mostraram seus atributos: "Por isso, quando você precisa de nós, fazemos tudo para resolver, pessoalmente ou pelo Citiphone Banking e terminais 24 horas no Brasil e no exterior."

4. PERORAÇÃO. Na última fase, na hora de realmente ganhar o cliente, eles concluiram o raciocínio com ênfase: "Assim seu tempo rende e sua vida idem." Depois de mostrarem-se desejados, chamaram para a ação: "Para ser cliente Citibank, ligue: 0800-727-2484."

Esse anúncio da Fallon para o Citibank tem redação de Leandro Lourenção e direção de arte de Edinaldo Cebolinha Fernandes. A direção de criação é do espetacular Eugênio Mohallem.